quinta-feira, 10 de março de 2011

Nada sei...


O relógio na parede marca com soturnidade o tempo.
Vejo pela janela do meu quarto ele passar.
Fixo o olhar no horizonte, vago em pensamentos meus e no infinito do universo particular do meu eu perco-me.
Navego, vou de um porto a outro, tonta sem rumo.
Ora reflito, ora reflexo, mas sei que ainda nada sei na imensidão deste mar. 
Quero desejo, planejo, sonho.
Deito-me na relva, corpo em alfa voa até as nuvens.
A música que sai das batidas do meu coração me faz dançar de olhos fechados. 
Ainda nada sei.
O vazio que o ontem deixou é o presente do futuro do amanha. Ainda nada sei.
O tempo caçador de mim laça-me, rodopia-me aos meus sonhos.
Agora me vejo diante do eu figura desfigurada perdida de mim.
Não vejo o passado. Não sinto o presente. Vago pelo futuro.
Olhos fechados, corpo amarelado, massa fria, prantos de choros. Nada sei.
Volto ao relógio, que desacelerado marca o tempo inútil, fortuito, passagem. Passo, vou, fui..
Grito peço ao tempo sagaz deixe-me em paz.
Ainda nada sei..

Um comentário:

  1. Clarice afirmou um dia: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. Seus escritos são verdadeiras faíscas de vida, que rabiscadas na areia da praia, sofejam um réquiem para o estável e tenorizam uma marcha nupcial para a efemeridade do tudo. Para que saber, conhecer, antever, se aprisionam o viver, esse carpe diem que constituem o homem na sua eterna busca do ômega? sol, mar, nuvens, sonhos, sensações.. pode o Tempo com esses elementos? "Nada sei" porque enquanto tentas, enquanto ousas e desafias, a vida te festeja, pois acontece. E fecho com Alberto Caeiro: penso com os olhos e com os ouvidos. E com as mãos e os pés. E com o nariz e a boca.

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